-
13.3.16
Dei por mim a vaguear no pensamento preso na indecisão de alguém que não sabe o que sente ou se sente algo para poder ser pensado. Parei na solidão que os teus olhos transmitiam em ti e faziam passar a ideia de alguém tão cheio de vida e tão solitário do mesmo modo. Mas confesso que foi o teu sorriso de quem não tem nada a perder que me conquistou, tão inocente e com tanto para contar que nem um dia inteiro chegaria para revelar tudo o que esconde por trás dele. Foi esse sorriso intrigante de quem diz que dá tudo e no fundo tem medo de não conseguir dar nada. Foi o mistério que todo o teu ser me fazia transparecer que me fez parar perante ti e não simplesmente sorrir-te e continuar como teria sido feito com qualquer outra pessoa. Não sei o porquê da vida me ter feito passar-te ao lado da primeira vez, mas tenho a certeza que te voltou a pôr à minha frente uma segunda vez para garantir que desta, parava e fixava o meu olhar em ti e que trazia ao de cima toda a minha curiosidade de criança que me faria não desistir até conhecer um pouco de todo o desconhecido e intrigante teu 'eu' que tanto escondia, embora tudo contasse. E a verdade no meio disto tudo é que a vida me fez parar inevitavelmente à tua frente e me deu todo aquele querer e força de vontade para não desistir enquanto não te descobrisse e, no final, acabei foi por me descobrir a mim. Fez-me parar diante de ti como que uma obrigação inexplicável e acabei por nunca dali sair por vontade própria. Tentei que falasses, que te abrisses para mim e me contasses tudo aquilo que as minhas suposições criativas e imaginárias não conseguiram desvendar sozinhas. Falaste e não paraste mais. Quer dizer, não sei se foste tu que nunca paraste de falar ou se fui eu que nunca deixei de te ouvir. Perdi me nas tuas palavras vazias e gastas que ecoavam e se repetiam infinitamente... Vem. Fica. Não vás. Não me deixes. Quero-te. Quero-te comigo. Quero-te a ti. Quero-te agora. No fim de contas toda aquela opção forçada pela vida, de sabedoria e experiência acabou por se tornar uma necessidade de bem estar próprio. Como se o facto de te descobrir a ti me faria perder-me em mim e daí aprender mais de mim. Como se o facto de te querer era outra forma de me quereres a mim, de me fazer acreditar e ter esperança de que quem espera sempre alcança. Por que parte de mim não sabe nada do que quer, para além de ti. Quero-te sem te querer porque te quero sem crer. E isso é o que me faz continuar a viver.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário