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29.1.15

Sei sempre que há tanto para te dizer, mas o quão difícil começar é intriga-me. 
Revolta-me a quantidade de perguntas que tenho para ti. Dava tudo para que aquela não fosse a última imagem nossa. As recordações parecem cada vez mais pequenas ao lado daquele último momento. Tenho medo que as boas memórias caiam no esquecimento ocultas por aquela noite. 
Acredita que tento, acredita que estou a tentar ultrapassar, mas não dá. Dói demasiado. 
 Por vezes quando estou sozinha parece-me ouvir os barulhos daquela noite. Aquela máquina. O teu último suspiro. As tuas últimas palavras. Fogo, porquê? Porque é que aquelas tinham que ser as tuas últimas palavras? Não faz sentido absolutamente nenhum! Nunca fará.
 Tem dias em que sinto que preciso de contar isto a alguém que não saiba, contar toda aquela noite, tudo o que aconteceu, tudo o que vi, tudo o que senti. Mas e depois? Provavelmente de nada me vai ajudar e nada vai mudar.
10 meses já passaram e as noites continuam longas, talvez ainda mais. Na altura bem me avisaram que eu estava a sofrer mas que com o tempo ainda ia custar mais, que aquilo era só o início. E agora todos os dias que acordo e enfrento sem ti sinto que são a maior batalha do mundo.
Tenho medo, preciso de ti aqui comigo, estou completamente aterrorizada e não sei o que fazer mais. Com o tempo cada vez vou ficar mais sozinha, eu sei, mas não estou pronta para mais nenhuma perda. Não agora, não aguento. Por favor não deixes que isso aconteça. 
Estás a ver-me? Desculpa tudo o que tenho feito, eu sei que só te consigo estar a desiludir ainda mais, mas eu prometo que estou a tentar! Desculpa não conseguir superar todas as expectativas que sempre tiveste de mim, desculpa pelos dias em que deixo que todo o sofrimento me tire as forças. Acredita, estou a tentar! E prometo que vou continuar a lutar até não conseguir aguentar mais, prometo-te. Desculpa por todas as promessas não cumpridas e todas as palavras que nunca foram ditas, mas esta promessa vai ser aquela que vou dar tudo para não falhar. Prometo-te, Mãe, não vou desistir. 

Por favor olha por mim, olha por nós.

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