-

29.11.15

Passeio da minha vida.

Hoje acordei e apeteceu-me sair de casa. Apeteceu-me ir até ao paredão, como sempre fomos tanta vez. Fiquei na cama por um bocado até decidir sair do quarto. Tu já estavas na sala, sentada ao computador, como sempre. Disse-te bom dia ainda com voz de sono e de quem não queria falar, como já era habitual. Sentei-me no sofá a ver televisão e a mexer no telemóvel, e disse-te que me apetecia ir até ao pé da praia. Resmungaste, como sempre, mas acabaste por dizer que sim. Saímos de casa mais tarde do que era suposto porque te atrasaste, (como sempre), mas saímos. Foi uma daquelas típicas viagens de carro silenciosas, em que os únicos temas de conversa eram sobre algo que estava a passar na rádio. Chegámos e ficámos sentadas a olhar para a água, como sempre. Tirámos uma ou outra fotografia, visto que a máquina andava sempre connosco e nunca falhávamos a oportunidade de tirar uma fotografia para podermos guardar materialmente os momentos que íamos passando. Decidiste ir ao bar do costume para lancharmos e pediste a tosta mista com o sumo natural e no final fumaste o teu cigarro, como sempre. Andámos mais um pouco e tivemos a discussão do costume de eu estar calada e se não quero estar ali, íamos embora. Em que eu digo que não, mas que interpretas sempre que sim e acabamos por ir embora ambas chateadas uma com a outra. Tu comigo porque achas que não quero estar ali, eu contigo por que queria mesmo estar ali, apenas queria que demonstrasses um pouco de felicidade por ali estarmos, coisa que não fizeste, como sempre. 
 Mas subitamente, sem perceber bem de onde veio tal acto, abraçaste-me e simplesmente não falaste. Acabámos por ficar ali a passear durante mais um tempo. Falámos de tudo e de nada. Fiz-te todas as perguntas que todos os dias ecoavam na minha cabeça e respondeste a todas com um enorme sorriso na cara, algo que não acontecia sempre, antes pelo contrário. Entrámos no carro ao final da tarde e não nos calámos a viagem inteira até casa e até cantámos... como nunca acontecia. Voltámos para casa e voltámos às nossas vidas. Eu fui para o quarto com o meu telemóvel e a minha música e tu sentaste-te ao computador, como sempre. Mas desta vez ambas com um sorriso na cara. Estávamos bem. Estávamos juntas. Estávamos felizes. 
 Um tempo depois voltei a sair do quarto e voltou tudo ao normal. O sofá estava agora vazio, a casa estava vazia, o meu coração tinha voltado ao vazio habitual. E mesmo assim sorri. Sorri e disse que te adorava. Tinha acabado de passar a tarde inteira contigo e mesmo que toda a gente me dissesse que estava maluca e que isso era impossível, aconteceu mesmo. Ambas sabemos que aconteceu, certo? 
 Porque afinal, hoje acordei e apeteceu-me sair de casa. Saí e fui passear contigo e sabes que mais? Nem de casa saí... mas foi o melhor passeio dos últimos tempos.

Sem comentários:

Enviar um comentário