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13.7.14

(?)

Sempre que te sentires mal, lembra-te que tens a maior estrela a olhar por ti. Mas sempre que te sentires sozinha lembra-te que ela não está lá em cima, mas sim cá em baixo, no teu coração.



Olá mãe, estás bem ?
Tentei, juro que tentei não escrever começando assim, mas quaisquer outras palavras usadas pareciam não fazer nem o mínimo sentido.
 Não quero escrever, parece que nada do que disser vai chegar ao nível que mereces que as palavras fossem usadas, mas acabo por bloquear, sinto um vazio tão grande que nenhuma palavra algum dia o vai conseguir fazê-lo desaparecer. 
 Passaram quase 4 meses mas desde aquela quarta feira que os dias se tornaram tão longos e parece que nunca mais acabam. Adormeço todos os dias com a ilusão de que vou acordar e que tudo será mais fácil, que irá doer menos, que irá custar menos... Será? Será que quando passar um ano tudo estará diferente ou irei estar exactamente como estou hoje?
 Não sei que muito mais posso dizer. Quero-te aqui. Preciso de ti aqui. Tudo deixou de fazer sentido desde aquele dia, tudo o resto deixou de ter importância. Há tanto que ficou por dizer... Não queres voltar só por um dia, para te dizer tudo o que nunca disse? "Apesar de tudo, obrigada. Ensinaste-me imensas lições, algumas delas das piores formas e só agora as estou a entender, mas ensinaste. Desculpa pelo abraço há anos não dado, o 'amo-te' que nunca da minha boca saiu. Desculpa pelos insultos, pelos gritos, pelas lágrimas que ao longo dos anos te fiz deitar e todas aquelas às quais assisti e fiquei indiferente. Obrigada por teres demonstrado que não cometi um erro quando te contei aquilo que tinha medo de contar, e por me teres dado os conselhos que só mais tarde os compreendi. Desculpa por nunca te ter dado o valor que merecias, e acima de tudo desculpa por nunca me ter apercebido desse enorme valor que sempre tiveste escondido. Algum dia tiveste orgulho de mim? Passei todos os meus anos a falhar repetitivamente e mesmo se cá estivesses era isso que irias ver. Mas lamento, lamento por isso. E lamento por não estares cá para me veres concretizar todos os sonhos que sabes que sempre tive e me dizias sempre 'um dia, acredita e um dia conseguirás'. Lamento que não vás estar cá para me ver crescer, para me veres casar, para me veres sofrer e me poderes ajudar. Lamento por tudo. Desculpa por não ter sido o exemplo de filha que sempre quiseste. Desculpa por todas as desilusões. Desculpa por nunca nos termos dado bem. Mas prometo-te, do fundo do meu coração: todos estes anos horríveis que cá vou ficar e passá-los sem ti, prometo que me vou sempre lembrar de ti. Vais estar sempre comigo faça o que fizer, vá onde for. E espero, que estejas onde estiveres, te orgulhes de mim.'
 Chegamos a um ponto em que deixamos de pensar nos outros. Pensamos apenas que estamos a sofrer e que temos que arranjar uma forma o mais rápido possível para acabarmos com esse sofrimento. Mas temos que acordar para a realidade. Temos que 'parar de ser egoístas'. Há pessoas à nossa volta que se preocupam realmente, que fazem o que podem e o que não podem para nos ver sorrir, e como retribuímos? Pensamos apenas em nós. E já aprendi o suficiente com os erros que cometi. Nada mais será deixado por dizer, e vou parar, parar de ser egoísta. Aprendi isto com pessoas como essas, e são essas pessoas que me dão força para continuar. Por muito sozinhos que nos sintamos, há sempre alguém escondido que vai aparecer quando menos esperamos, e mais precisamos. 
 E sabes que mais, Mãe? Um dia sim, havemos de nos encontrar. Mas não será para já.

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