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14.2.14

she.



Ela esteve a chorar e muitos a viram. Não aguentou e chorou. Chorou e parece que nada nem ninguém a conseguia fazer parar de chorar. Perguntaram-lhe o que se passava, abraçaram-na, mas só conseguiu contar a uma única pessoa a história completa. Não por falta de confiança, mas sim por medo, insegurança, covardia, vergonha, e principalmente  por não querer preocupar ninguém. 
 Os que realmente gostavam dela não a pressionaram mas quiseram deixar bem claro que estavam ali para ela se ela precisasse. Passaram duas horas e perguntavam :
- Estás melhor ? 
- Sim, sempre bem - dizia ela com as lágrimas nos olhos. Uns notavam, outros simplesmente acreditavam. Outros sabiam que bem era algo que ela não estava nada, mas deram-lhe espaço, lembraram-se que ela sabe que se precisar eles estão lá para ela. Ela no fundo, sabe disso. 
 Mas mesmo assim ela sente-se sozinha. Ela sente-se perdida. Ela tem vergonha de tudo o que tem feito. Tem vergonha do que faz, do que sente, do que é. Ela não consegue mais desabafar com as pessoas por muito que confie nelas. Dói. Muito. Mas não consegue e nem entende bem porquê. Mente. Diz que está tudo bem. Teima em mentir. Mente até ao fim. Mente até a ela própria, e espera que um dia possa ser capaz de dizer que é feliz e saber que não está mais uma vez a mentir. 
 Sente-se sozinha, mas sabe que tem pessoas à volta dela que se preocupam. Será isso normal ? Não sei dizer. Ela sente-se mal, bastante mal. Maioritariamente com ela própria. Está tudo a acontecer tão rápido na vida dela que ela nem sabe explicar nada. Nem consegue entender sequer o que se está a passar. 
 Sente que está a perder tudo o que mais importa à sua volta. Sente que está a perder pessoas que significam o mundo para ela. Sente que está  a perder grandes oportunidades. E, acima de tudo, sente que se está a perder a ela mesma.
 Custa-lhe não ser capaz de desabafar com as pessoas em quem confia, mas não consegue evitar. Talvez um dia, quando tudo passar.
 Agora, ainda assim chora, mas desta vez sozinha, onde ninguém a pode ver, nem ouvir. E espera. Espera e deseja muito para que tudo aquilo passe rápido. E até lá...? Até lá vai aguentando, vai sorrindo, vai-se esforçando, vai tentando superar. 
 Ela ? Ela sou eu. E eu ? 'Estou bem, sempre bem.'

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